Os DI abriram a sexta-feira com alta de 7 pontos-base, empurrando o vértice jan/2028 a 14,435% e o jan/2035 a 15,3%. O prêmio de risco fiscal disparou após a reeleição de Lula, com déficit nominal de 9,51% do PIB em 12 meses superando o alívio vindo do desemprego em queda e dos Treasuries.
A reprecificação da curva a termo brasileira reflete a assimetria entre a consolidação fiscal prometida e a expansão de gastos sinalizada pela nova gestão. O setor público consolidado registrou déficit nominal de R$ 113 bilhões em setembro, elevando o passivo de 12 meses para R$ 1,275 trilhão. Historicamente, trajetórias de dívida acima de 9% do PIB forçam prêmios de termo mais elevados, encarecendo o custo de carregamento para posições em prefixados e atrelados ao IPCA. A reprecificação de risco em techs globais ilustra como revisões de expectativas de fluxo de caixa livre impactam curvas longas, dinâmica que se replica no Brasil via canal fiscal.
Transmissão do Risco Fiscal: Curva, Câmbio e Bolsa
A alta simultânea nos vértices curto e longo (7 bps em ambos) indica bear steepening impulsionado por prêmio de risco fiscal, não por expectativas de Selic mais alta no curto prazo. O canal de transmissão opera via: (1) elevação do prêmio de termo nas NTN-Bs longas, reduzindo atratividade de carry em reais; (2) pressão sobre o real, que perde diferencial de juro real frente ao dólar; (3) aumento do custo de capital para empresas alavancadas, comprimindo valuation de setores sensíveis a juros (consumo, varejo, construção). O Ibovespa reduziu perdas sustentado por VALE3 e PETR4, cujas receitas em dólar funcionam como hedge cambial natural.
O problema fiscal é muito grave e precisa ser enfrentado pelo governo sob pena de um grande desarranjo macroeconômico, nosso maior temor. Além da dívida do governo, as famílias e as empresas estão muito endividadas.
A ancoragem das expectativas de inflação depende da credibilidade do arcabouço fiscal a ser anunciado. Sem sinalização clara de superávit primário estrutural, a curva mantém viés de alta, com o DI janeiro 2027 testando resistência em 14,50%. Fluxos estrangeiros, sensíveis ao diferencial de juro real, tendem a migrar para carry em mercados com dinâmica fiscal mais previsível (México, Indonésia), ampliando a saída de capital de renda fixa local.
Principais Pontos para o Investidor
- Monitorar: Anúncio do ministro da Fazenda e primeiras medidas do arcabouço fiscal — prazo crítico até a posse em janeiro de 2023.
- Projetar: Curva a termo pressionada enquanto déficit nominal rodar acima de 9% do PIB; DI jan/2028 pode buscar 14,75% sem ajuste crível.
- Avaliar: Exposição a prefixados longos e NTN-B 2035+; duration excessiva amplia risco de marcação a mercado em cenário de bear steepening prolongado.
- Considerar: Aumentar alocação em ativos atrelados ao IPCA curtos (NTN-B Principal 2026-2028) e posições em dólar como proteção de portfólio contra desancoragem fiscal.
Perguntas Frequentes
Por que DI subiu com desemprego em queda e Treasuries em baixa?
O mercado precifica prêmio de risco fiscal superior ao alívio vindo de dados de atividade. O déficit nominal de 9,51% do PIB em 12 meses sinaliza trajetória de dívida insustentável sem ajuste estrutural, forçando investidores a exigir juros reais mais altos para manter posições em reais, independentemente do ciclo externo favorável.
DI jan/2028: qual nível sinaliza pânico fiscal versus ajuste normal?
Rompimento sustentado acima de 14,75% (topo de 2022) sugeriria perda de ancoragem das expectativas de inflação e risco de dominância fiscal. Entre 14,40% e 14,60% reflete precificação de incerteza normal em transição de governo; acima disso, incorpora probabilidade não negligenciável de deterioração do regime fiscal.
