A economia dos EUA gerou 165.000 postos de trabalho em outubro, superando as previsões dos economistas e derrubando a taxa de desemprego para 4,1%, segundo dados do Bureau of Labor Statistics (BLS) divulgados na sexta-feira. A contratação resiliente ocorre apesar da inflação persistente, do crescimento real dos salários negativo e da turbulência geopolítica, reforçando as expectativas do mercado para um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve em dezembro.
Pontos Principais
- Folha de pagamentos dos EUA subiu 165.000 em outubro; desemprego caiu a 4,1%, superando expectativas.
- Crescimento salarial (3,1% A/A) ainda fica atrás da inflação (3,7%), estendendo queda dos salários reais.
- Demissões em mínimas de 18 meses; dinâmica 'low-hire, low-fire' persiste entre setores.
- Fed amplamente esperado para subir juros em dezembro; mercados precificam taxa terminal mais alta.
- Frustração do consumidor com custos de energia ditou sentimento nas eleições de meio de mandato apesar dos ganhos de emprego.
Resumo Executivo de Inteligência
Detalhes da Folha de Pagamento de Outubro e Revisões
A geração de vagas foi ampla nos setores de saúde, transporte, armazenagem e manufatura. O BLS também revisou para cima as folhas de agosto e setembro em 84.000 vagas combinadas, sinalizando que o ímpeto subjacente era mais forte do que o relatado inicialmente. Os ganhos médios por hora aumentaram 3,1% na comparação anual, uma aceleração modesta em relação ao mês anterior, mas ainda bem abaixo da taxa de inflação annualizada de 3,7% registrada em setembro, mantendo os salários reais em território negativo.
A taxa de desemprego recuou para 4,1% ante 4,2%, refletindo ganhos na pesquisa domiciliar. O aperto do mercado de trabalho persiste em uma configuração de 'low-hire, low-fire': a Challenger, Gray & Christmas reportou pouco menos de 44.000 demissões em outubro, queda de 71% ante um ano antes, enquanto as demissões de setembro atingiram o menor nível em 18 meses.
Inflação, Salários Reais e Pressão sobre o Consumidor
Apesar dos ganhos nominais, a inflação dos últimos meses superou em grande parte o crescimento dos rendimentos, corroendo o poder de compra. Os preços da gasolina estão em média US$ 1 por galão mais altos que há um ano devido à guerra no Irã, enquanto o diesel — crítico para a logística da cadeia de suprimentos — roda 60% acima dos níveis pré-guerra. Essas pressões de custo dominaram as eleições de meio de mandato, onde os eleitores sinalizaram profunda frustração com o custo de vida, mesmo com os democratas mantendo o controle do Congresso.
"Os americanos deram um veredito claro nas eleições de meio de mandato de que a economia atual está apertando as pessoas financeiramente e dificultando a sobrevivência, quanto mais a ascensão", disse Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union. "O mercado de trabalho é um bom exemplo do porquê da frustração das pessoas."
Implicações para a Política do Federal Reserve
O Fed elevou os juros em setembro pela primeira vez desde 2023, levando a faixa dos fed funds para 3,75%-4,00%, mas manteve a taxa inalterada na reunião de outubro, na semana anterior à eleição. Com o mercado de trabalho mostrando resiliência contínua e a inflação de núcleo pegajosa, economistas esperam amplamente mais uma alta na reunião de política de dezembro. O banco central enfrenta uma calibragem delicada: apertar mais arrisca um overtightening em uma economia desacelerada, enquanto pausar arrisca ancorar inflação acima da meta.
Reação do Mercado e Sentimento de Risco
Os mercados acionários têm sido voláteis, com a Nasdaq, pesada em tecnologia, oscilando dentro e fora do território de correção — definido como queda de 10% em relação às máximas recentes — enquanto investidores reavaliam trajetórias de capex em IA. A força do relatório de emprego reduz a probabilidade de um pivô para cortes de juros no curto prazo, mantendo as expectativas de taxa terminal elevadas e pressionando setores sensíveis a juros.
Perspectiva Futura: Dependência de Dados se Intensifica
Todos os olhares se voltam para o CPI e o relatório de folha de pagamento de novembro antes da reunião de dezembro do Federal Open Market Committee. A trajetória da inflação de serviços, custos de moradia e crescimento salarial nos próximos dois meses determinará se o Fed entrega uma alta final ou sinaliza uma pausa prolongada. A resiliência do gasto do consumidor, especialmente entrando na temporada de festas, também testará se salários reais negativos finalmente se traduzem em destruição de demanda.
